O Outro American Way


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Quando fui à procura de  Occupy Johnson City, em Tennessee, o perfil pontiagudo de piquetes e cartazes chamou minha atenção em primeiro lugar, depois vi as pessoas em baixo deles, mas não pareciam per se com membros de uma insurreição mundial, era apenas uma multidão ordenada num estacionamento.

Mas uma multidão, é uma vista e tanto, numa cidade que  as pessoas principalmente atravessam de carro, ou onde dirigem de um lado para o outro. Vi algumas bandeiras americanas e um cartaz que dizia “God Hates Banks (Deus odeia os banco)” e percebi isso tinha que ser a ocupação. Do outro lado da rua, ouvi uma pessoa dizer algumas palavras de cada vez, repetidas pela multidão na inconfundível “de hoje em diante …” cadência de um casamento ou uma tomada de posse, e outra vez , não tinha certeza de estar no lugar certo. Como se viu, a chamada e resposta eram o microfone do povo, famosamente reinventado em Nova York para subverter a proibição de amplificadores. Aqui no Tennessee soa como pessoas tomando votos. Repita como um: homens com jaquetas de UMW, os fazendeiros em suas roupas de cidade, de jovens da faculdade, professores aposentados, casais jovens empurrando carrinhos de criança, gente munida de guias da natureza no kilt, o morador de rua com uma tabuleta em latim. Realmente a tentação era perguntar a uma dessas pessoas, Qual é a história? Porque existe uma.

Aqui é a Appalachia, lar da floresta Cumberland e  da flor Wildwood e do NASCAR e do desemprego de 18% e bênçãos para todos. Lar da mineração dos picos das montanhas, em que as empresas de carvão acham lucrativo remover  a própria a carne da terra de seus ossos e deixar os vivos chocados e desenraizados para contemplar a beber veneno, no sentido literal. Berço da rebelião da Montanha Blair, onde trabalhadores mal pagos enfrentaram o grande capital numa insurreição diferente de qualquer outra conhecida neste país. Isso ocorreu em 1921, e por muitos relatos, o índice de aprovação do grande capital aqui não melhorou. Só neste mês, uma análise desapaixonada de Wall Street nos classificou a quinta região mais pobre do país. O microfone do povo, neste contexto, soa como uma celebração religiosa. Demorou o dobro do tempo para dizer qualquer coisa, mas induziu participação plena, o que também é muito sulista, pensando bem.

Finalmente concordamos em marcharmos, nós mesmos, na Rua State of Franklin, e como nos espalhamos de um lado ao outro de quarteirão a quarteirão de trânsito parado, as pessoas nas suas picapes, carros dilapidados, e sedans económicos,  buzinaram e aplaudiram nossos cartazes que diziam   “Tax Greed” ( Taxem a  Ganância) e,  não nos aconselharam a buscar  emprego ou a cortar o cabelo. As objeções ortodoxas se tornaram ridículas. Cada sistema na terra tem seus limites. Nunca estivemos aqui antes de hoje, não aqui exatamente, você e eu juntos nos lugares dourados e sujos, todos juntos ao mesmo tempo, com prazo limite, nem dá para brincar , já não dá para andar educadamente em volta do colosso calamitoso, o tal American Way de lucros corporativos consagrados e compaixão pública esmagada. Existe outro American Way. Este é o lugar certo, encontramos. Na Rua State of Franklin gritamos até nossas gargantas doerem  que nós somos os 99%, porque é justamente isso que somos.


Tradução de Ryan Green
Edit#1 de Beatriz Schiller

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